Acusado por fiéis de cometer abusos contra crianças e jovens, o padre Ademar Pimenta, que atuava como convidado na Paróquia Nossa Senhora de Nazareth, em Saquarema, foi suspenso nesse domingo, 7, por motivos de saúde, conforme comunicado da comunicação da Arquidiocese de Niterói.
O comunicado da “suspensão de ordem” foi feito pelo padre Hugo dos Santos Nascimento, coordenador de comunicação da Arquidiocese de Niterói, que justificou a decisão dizendo que a suspensão se deu “a fim de continuar o tratamento de saúde”.
Em seu site, a Arquidiocese de Niterói confirmou a suspensão e explicou que o pároco não tinha ofício eclesiástico desde abril de 2019, e atuava em Saquarema, onde mora, “colaborando conforme convite ou necessidade”.
A nota publicada pela Arquidiocese de Niterói cita manifestações nas redes sociais, se referindo à uma carta aberta publicada pela catequista Laura Gabriela no último dia 29 de maio, em que ela denuncia o comportamento do padre Ademar Pimenta.
Na época, ela falou que houve omissão por parte das autoridades paroquiais após receberem as denúncias de abuso psicológico contra o padre, na maior parte vindas de relatos recebidos de crianças e jovens que atuariam como coroinhas.
“Muitos desses relatos vieram justamente de crianças e jovens que servem ao altar, espaço que deveria ser símbolo de acolhimento, formação e segurança. Alguns testemunhos descrevem abordagens invasivas, comentários impróprios, intimidações veladas e exposições moralmente violentas realizadas inclusive durante homilias e momentos de convivência pastoral. Outros revelam episódios profundamente desconfortáveis ocorridos até mesmo em contextos de confissão espiritual, lugar sagrado que jamais deveria ser associado ao medo, à vergonha ou ao abuso psicológico”, denunciou Laura Gabriela no fim de maio.
Na última sexta-feira, 5, a catequista teria voltado a se manifestar nas redes sociais, indignada com a presença do padre Ademar Pimenta no altar da Paróquia Nossa Senhora de Nazareth, em meio às solenidades do feriado de Corpus Christi.
“Ontem, na solenidade do Corpo de Cristo, muitos fiéis viveram um sentimento difícil de descrever: indignação, tristeza e profundo escândalo. Enquanto a Igreja celebrava publicamente a presença real de Cristo na Eucaristia, sacramento da verdade, da pureza e da entrega, estava novamente no altar o padre Ademar, sacerdote cujo nome permanece ligado envolvendo crianças e jovens. Um homem que, segundo relatos conhecidos por toda a comunidade, deixou marcas profundas na vida de inúmeras pessoas”, escreveu Laura Gabriela.
Segundo reportagem da Veja, comentários de frequentadores da paróquia na publicação confirmariam as denúncias de Laura Gabriela, mostrando que seria sabido e público o teor das denúncias envolvendo o padre Ademar há meses.
“Misericórdia Jesus, isso tem que ser visto e ter punição, meu Deus, estou sem reação”, teria escrito o perfil da Igreja Nossa Senhora do Carmo e São José, de Vilatur, também em Saquarema.
