A Escola Agrícola Municipal Nilo Batista, integrante da rede pública de Cabo Frio, conquistou projeção nacional ao garantir o 1º e o 2º lugares entre as escolas quilombolas de Ensino Médio na Olimpíada Brasileira de História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena. A unidade também alcançou a 6ª colocação nacional no Ensino Fundamental, reforçando sua atuação no campo da educação voltada às relações étnico-raciais.
A edição de 2025 da olimpíada reuniu 1.773 equipes de diferentes estados brasileiros e abordou o tema “Educação para as relações étnico-raciais: Povos e comunidades tradicionais frente ao racismo ambiental e às emergências climáticas”. A iniciativa é promovida pela Associação Brasileira de Pesquisadores Negros e propõe desafios acadêmicos com envio de produções por meio de plataforma digital.
Ao todo, 21 alunos da escola participaram da competição, organizados em três grupos. No Ensino Médio, a equipe “Os Aruandas” obteve a maior pontuação nacional entre escolas quilombolas, com 95,65 pontos. Já o grupo “Território e Resistência” ficou com a segunda colocação, somando 94,40. No Ensino Fundamental, a equipe “Poder Afroindígena” conquistou o 6º lugar nacional, com 86,40 pontos.
Os trabalhos desenvolvidos envolveram pesquisa, produção textual, podcast, quiz e história em quadrinhos. Entre os temas abordados estiveram as comunidades quilombolas do Pará diante das mudanças climáticas, o impacto ambiental no Cerrado sobre comunidades geraizeiras e a relação entre ancestralidade e natureza na bacia do Rio Una.
Para o secretário municipal de Educação, Alessandro Teixeira, o resultado consolida a política educacional voltada à valorização da identidade e da história dos estudantes. “Essa conquista enche a nossa rede de orgulho e mostra que investir em uma educação antirracista, que valoriza a história e a identidade dos nossos estudantes, traz resultados concretos. A Escola Agrícola Municipal Nilo Batista demonstra que a educação pública de Cabo Frio tem qualidade, compromisso social e protagonismo nacional”, afirmou.
O diretor da unidade, André Souza, ressaltou que a participação na olimpíada integra um projeto contínuo iniciado em 2024. “Foi com imenso orgulho e profunda satisfação que celebramos o desempenho dos nossos alunos na OBERERI 2025. Vejo nesta conquista não apenas uma premiação, mas o reflexo direto do compromisso da nossa comunidade escolar com uma educação que fortalece as raízes dos nossos estudantes e valoriza a história do nosso território. Ver nossos jovens se destacando em uma olimpíada de tamanha relevância nacional só nos mostra que estamos no caminho certo”, declarou.
Além de medalhas e certificados, a escola será contemplada com o Selo Escola Antirracista concedido pela ABPN. A cerimônia de entrega está prevista para ocorrer ainda neste mês de março. A unidade também poderá receber bolsa de iniciação científica júnior, conforme previsto no edital da edição 2025.
